Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Ando um pouco cansada de tanto ouvir falar no Orçamento de estado e suas medidas. Se na TV posso sempre mudar o discurso mudando de canal, o mesmo não sucede na rua, transportes públicos entre outros.

Claro que ninguém gosta que lhe tirem do bolso dinheiro, que a alguns tanto custa a ganhar, mas há que ser consciente e perder um pouco de tempo a realizar uma pequena actividade (talvez pela primeira vez para alguns) que se denomina de PENSAR. E em quê? Simplesmente nas parvoíces que escutamos, porque falar é extremamente simples, mesmo que não saibamos escrever, falar é gratuito e inato.

Primeiramente, são milhares as vozes que se erguem contra o PM Sócrates. Sei que ainda sou novita mas os 31 anos que possuo permitem que diga que hoje estamos a pagar – literalmente - com a má gestão ou governamentação (como preferirem) dos últimos 15 anos!

São medidas austeras e injustas? Talvez sejam, principalmente se pensarmos que todos iremos pagar as diversas fatias do bolo enquanto seria mais equitativo dividir estas despesas apenas pelos que contribuem no aumento da despesa nacional. Não sei se têm noção (eu pelo menos não tinha) mas pelo que ouvi ontem pelo economista Camilo Lourenço (que tanto aprecio), diariamente entram nos cofres portugueses cerca de 10milhoes de euros dos fundos europeus. Imenso dinheiro correcto? Pelos visto não! Sabiam que ao fim de um ano, de todo este dinheiro 76%.... tenho de repetir: 76% vão para salários dos coitaditos funcionários públicos???? O restante vai para outras sanguessugas como os subsidiários sociais e pouco é disponível para as restantes despesas.

Os salários da função pública não irão aumentar, pelo que dizem, e sabem que mais? Apoio! Aliás este PM sempre me conquistou desde que foi o primeiro a dizer NÂO às exigências dos professores, por exemplo. Há outras medidas que deveriam ser impostas, como a criação de uma fiscalização social, ou seja, um conjunto de pessoas imparciais que fiscalizassem moradas e vida dos que recebem o rendimento social de inserção, de desemprego etc. Nem todos o são, mas grande parte das pessoas, preferem estar em casa do que ir trabalhar pelo mesmo valor ou pouco acima do que auferem do subsidio de desemprego – é sempre melhor receber na conta os euritos mensais do que sair de casa, apanhar chuva ou calor, trabalhar durante horas, ganhar calos etc para receber pouco mais. È injusto? Injusto é a crescente comunidade dos recibos verdes, que tanto descontam e não têm direito a subsídios ou baixas, e quer trabalhem ou não, continuam a descontar.

O fim do abono para alguns escalões é ridiculo? Concordo! Não deveriam basear-se no rendimento familiar mas sim nas reais necessidades de cada agregado familiar. Perto da minha localidade há um bairro que é só ver as adolescentes (algumas com 14,15 anos) a parir crianças só para terem direito a este e aquele apoio. Pelo que já assisti, ter filhos é lucrativo para elas: uma mesma levantou cerca de 600€ só em apoios - patrocinados pelo estado? Não, por todos nós. Mais, como são coitaditas, algumas ainda recebem bens alimentares mensais e ninguém quer saber se os vão buscar a pé, de autocarro ou em Mercedes, por exemplo como acontece numa freguesia limítrofe. Estas pessoas não trabalham, logo não têm mais gastos com os filhos pois podem perfeitamente cuidar deles diariamente, têm direito a livros gratuitos, vivem em casas camarárias etc. E é nisto que acho esta medida é disparatada: porque raio só considerar os ganhos? Se temos um casal que trabalha e aufere entre os 2 cerca de 1500€/mês, não têm direito a casa logo pagam prestações do seu lar bem como outras despesas inerentes, carro, infantário e ainda têm de pagar as despesas alimentares, acham que sobra muito do que ganham para não terem direito a um pequeno apoio denominado abono? Claro que pouco ou nada sobra, pois é, mas estes indivíduos pertencentes ao 4º escalão deixarão de ter essa migalha mensal. Não sei se perceberam mas quem tiver rendimentos brutos mensais superiores a 628 euros vai perder direito ao abono de família já este ano!

Os aumentos da manteiga e leite achocolatado são disparatadas? Comparado com alguns produtos que não aumentam como o VINHO são injustas mas também não podemos é argumentar que o leite achocolatado é um bem essencial… os nossos pais não bebiam leite achocolatado e estão vivos e com saúde. Isto já é um capricho da sociedade. E quanto há manteiga há que pensar que vivemos numa sociedade com elevados indicies de obesidade e para quem não sabe, o pão não engorda mas sim o que se coloca lá dentro… logo o Governo lembrou-se disso e apenas quer ajudar até porque como os ginásios irão passar para 23% de 6%, muitos terão de desistir de frequentar estes locais e convém controlar nas gorduras.

O vinho não foi aumentado e ninguém entende porquê. Eu que não bebo explico, com tanto corte há que beber para esquecer e convém que não seja demasiado caro porque senão ninguém esquece e só reclama. Mas mais, há que manter o povito entretido portanto para os que gostam de ver jogos de futebol no estádio estejam sossegados porque os bilhetes mantém-se com 6%Iva – ridículo!

E os que se queixam que só recebem a pensão minima pensem: quantos anos descontaram e por que valores o fizeram. Carissimos, se descontaram pelo valor minimo e durante poucos anos queriam o quê? ELevadas reformas? Era o que faltava! Penso que a minha geração não tem de trabalhar nem descontar para os srs agora viverem há grande quando descontaram à pequeno!

 


sinto-me chateada

publicado por soprosdemar às 15:03 | link do post | comentar | favorito

2 comentários:
De O homem das obras a 20 de Outubro de 2010 às 21:02
Xi Meu!!! Pareço eu a falar...


De Fernanda a 25 de Outubro de 2010 às 23:41
Olá! Pois desta vez fui merecedora de link e cá estou eu, para conhecer o seu blogue, e a dar o meu contributo, dizendo que o que penso deste assunto tão espinhoso.

Nós recebíamos 46€ por mês de abono de família, por 2 crianças; foi-nos retirado. O vencimento do meu marido reduzido, e o imposto nos bens alimentares aumentado. Claro que não estamos contentes com a situação. Mas vamos sobreviver, enquanto vejo ao meu lado tantas famílias em dificuldades. E nem que seja por eles, nem que seja pela injustiça na desigualdade de aplicação de deveres, tenho que me pronunciar.

Sim, foi má gestão, sim não foi somente da responsabilidade do Sócrates, mas digamos que ele é o grande responsável, pois há anos que economistas independentes andavam a dizer que tudo isto iria acontecer, e o 1ºM. a desdizer. Aliás, ainda há 6 meses atrás afirmava que não aumentaria os impostos. E uma série de outras promessas que agora descaradamente quebrou!

Nem todos os funcionários públicos auferem vencimentos que lhes proporcionam vidas de marajás; a maioria deles recebe o ordenado mínimo. Não receber aumento ano após ano, enquanto tudo aumenta de preço, diminui-lhes imenso o poder de compra. Eu simpatizo com estes trabalhadores.

Quanto às reformas baixas, Marisa, deixe-me dizer-lhe que são de pessoas que toda a vida trabalharam, desde crianças, muito provavelmente, só não descontaram porque os patrões não o faziam, num altura da vida política em que isso não lhes era exigido. Também simpatizo com idosos que recebem 250€ por mês e dependem dos filhos e caridade alheia, para viverem.

As coisas não são pretas nem brancas; são cinzentas.

Eu até poderia compreender que todas estas medidas são necessárias, que o momento exige este sacrifício a todos os portugueses, se TODOS os portugueses estivessem incluídos! Mas não, a classe política continua a esbanjar, continuam a ter verbas para decoração e publicidade de eventos da treta, para contratarem mais funcionários para os gabinetes ministeriais, e até para dar aumentos!

As grandes obras não foram canceladas, somente adiadas; vamos nós apertar o cinto, na educação e na Saúde , para que os governantes construam pontes, aeroportos, auto-estradas, e o malfadado TGV ( que nunca terá lucro, por falta de passageiros?!), e outras coisas do género?!

Isto é como uma casa, em que o pai diz aos filhos: não há dinheiro para comida, nem remédios, nem para substituir o telhado; tenham paciência meus queridos filhos, o pai está a passar uma fase má!
E de seguida, vai pedir um empréstimo para construir uma garagem, para guardar o carro, que também vai comprar a crédito!
Isto é uma insanidade, e não posso concordar com este desvario.
Que pelo menos o sacrifício seja igual para todos!



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